No dia 25 de Abril de 1974, Angola era um dos territórios mais prósperos de África, onde o futuro se vislumbrava risonho e promissor.
A notícia da revolução levada a cabo em Lisboa dividia a opinião dos angolanos. Porém, havia um sentimento com um denominador comum: a almejada autodeterminação e até uma possível independência a médio/longo prazo tornava-se real. Ambicionavam-no, mas num contexto onde todos fizessem parte desse sonho, brancos, pretos ou mulatos e onde a relação com Portugal se mantivesse, em qualquer dos casos, privilegiada e estreita.
O que quase ninguém alguma vez imaginou que pudesse ser real foi o desastre e a tragédia que veio a acontecer com a denominada descolonização exemplar, traduzido na morte de milhares de pessoas, no êxodo de centenas de milhares, na destruição económica e social de um território que respirava até então felicidade e optimismo.
Este livro conta, através de relatos inéditos, a odisseia vivida pelos angolanos, desde esse Abril de 1974 até à data em que conseguiram fugir da sua terra Natal ou da terra escolhida para trabalharem e constituírem família.
Sem tabus nem censuras, descrevem os horrores que presenciaram - tiroteio, assassinatos, violações, roubos, cadáveres nas ruas, início da guerra civil - que assolaram Angola, principalmente a capital Luanda, entre Abril de 1974 e 11 de Novembro de 1975, data da independência do território.